Pós doutor em História das
Ciências e da Saúde
Doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco
Pesquisador e bolsista ad hoc do CNPq
Professor da disciplina de Paraiba II
Doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco
Pesquisador e bolsista ad hoc do CNPq
Professor da disciplina de Paraiba II
O cenário nacional que recepcionava o
modernismo, era um terreno fértil para idéias progressistas, apesar de uma
grande parcela da população ainda estar mergulhada no tradicionalismo
moralista, algumas pessoas corajosas em suas vontades, rompiam a barreira
imposta a sociedade e anunciavam novos ares, novos modos de pensar, novos modos
de ser.
Anayde
Beiriz se encaixa nesse novo modo de ser em todas as formas, como demonstra o
professor no artigo, que utiliza o corpo de Anayde como uma metáfora para
recepção dos signos e instrumentos do moderno. Ele aponta então o conjunto de
novas formas de se inscrever no corpo uma nova identidade: o cabelo a la garçonne, o batom Michel e as
maquiagens Blenol e Dermon. Compreendemos então que eram esses os produtos que
demarcavam pela propaganda o espaço da mulher que queria se diferenciar, que
queria se afastar do “passado sem cor”.
Mas também
haviam contradições nessa sociedade, se por um lado os novos produtos era
adornados de bons adjetivos, algumas mulheres que ousavam mudar, que não
permaneciam nas regras morais da sociedade eram julgadas e sofriam sanções.
Anayde como uma das mais exemplares dessas mulheres também as sofrera, foi
impedida de lecionar no colégio que se formara porque não encorporava a
disciplina “necessária” para uma professora, não controlava suas paixões e não
negava o seu corpo. Esses motivos foram suficientes para demarcar em Anayde,
aos olhos da sociedade da época, uma aparência vulgar.
Anayde não
queria permanecer no espaço que lhe era
destinado: ser uma boa mãe e uma boa dona-de-casa. Preferiu antes transgredir
os limites e pintar os novos espaços políticos em seus escritos. Aproveitava-se
de sua voz consciente e transformadora para anunciar e desejar a mudança no
tratamento para com a mulher, esta deveria agora ocupar o espaço político. Essa
opnião era pesada demais para uma sociedade machista que reprimia as expressões
femininas que lhe fugisse ao controle. Anayde discutiu muitas vezes por seus
ideais, dentre essas discussões algumas se travaram com seu amante João
Dantas, que era de uma opinião política adversa da de Beiriz. Mas mulher hábil
que era, soube se locomover por essas tecituras com maestria, sem se curvar e
abandonar seus ideais, nem em nome do seu amor.
Sofria então
por conviver em uma sociedade vigilante, que tenta docilizar os
corpos femininos, delimitar seus espaços, disciplinar seus desejos, mas que de
modo algum conseguiu normatizá-la.
Não podendo
lecionar no colégio que se formou, foi ensinar em Cabedelo aos pescadores.
Posição que era recusada por outras professoras que não queriam ser mal vista,
pois até o locomover-se para o feminino nessa sociedade era digno de suspeita.
A mulher tinha que estar sempre em vigilância.
É marcante
no artigo o paralelo entre as concepções políticas e pessoas de Anayde Beiriz e
João Pessoa, que a história entrecruzou de forma trágica. Mostrando a ironia
que consistia por trás do progressismo político de João Pessoa mas no seu
moralismo que queria se apegar ao passado enquanto que Anayde se pautava no
amor e na liberdade.
Resumo bem feito!!!
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